domingo, 26 de agosto de 2012

Amor sem palavras (Cinema Mudo, pel’Os Paralamas do sucesso)

 

[segue uma música brasileira que toma o cinema como tema para falar de amor, incompreensão, relacionamento e linguagem audio-visual. o legal da música é identificar os sentidos que o autor Herbert Viana constrói em sua música pela relação com o cinema e TV. curta, rápida, gostosa, a música dialoga com a tradição jamaicana, com um gênero musical lá inventado chamado ska. Foi num domingo, como hoje, que os Paralamas tocaram no Rock’n’Rio de 1985]

 

Cinema Mudo

Uôle bolê
ô ô ô ô ô ô ô (3X)

Amor sem palavras
Cinema mudo
Não falo nada
Você sabe tudo
ô ô ô ô ô ô ô ô ô

A noite chega
Me dá um toque
Melancolia não dá ibope
ô ô ô ô ô ô ô ô ô

Eu tenho que aprender a dizer tudo
que eu sinto por você
Eu tenho que aprender
Num desses seriados da tevê

 

 

[A música foi gravada no disco de estréia da banda em 1984, com título homônimo Cinema Mudo]

 

[Segue texto de apresentação retirado do sítio eletrônico da banda: http://osparalamas.uol.com.br/cd-dvd/cinema-mudo ]

“Eram idos de 1983. A cena do novo rock brasileiro começava a florescer, puxada pelo humor escrachado da Blitz e da Gang 90. Uma geração nascida já na ditadura militar começava a compor suas músicas e a transformar em arte o desejo de um novo país, que já se espalhava de uma forma irreversível por todas as camadas da sociedade. Se tocar na abertura do show de Lulu Santos no Circo Voador era o maior sonho de um trio de jovens músicos que ensaiavam no apartamento da avó do baixista, gravar um LP por uma das maiores empresas de música do mundo, haveria de ser o quê? Foi com essa empolgação que Os Paralamas do Sucesso entraram pela primeira vez em um estúdio. Impulsionados por uma série de shows para os amigos (e amigos-dos-amigos) nos pequenos palcos que se multiplicavam pelo Rio de Janeiro e pelo sucesso da demo de “Vital e Sua Moto” na Rádio Fluminense, eles encaravam sem muita responsabilidade a desconfiança que a linha-nobre da MPB tinha sobre aqueles jovens. Afinal, era uma geração que desprazava metáforas, tocava com guitarras na frente e pouco se importava em respeitar a suposta “tradição” da música brasileira. Qual é seu guarda, que papo careta? Era esse o lema de quem só estava tirando chinfra. Era hora de mudar as coisas. O tesão adolescente transbordava nas letras e nas bases das músicas. O riff de “Vital e Sua Moto” se espalhou pelo país. Convencidos de que a sobrevivência do rock no país dependia do sucesso de outros grupos, eles aproveitaram a chance que tiveram para jogar luzes sobre o máximo de bandas possíveis, seja fazendo covers nos shows ou as citando em suas entrevistas. E eles estavam certos. A gravação de “Química”, por exemplo, serviu de estopim para que a EMI contratasse também o grupo de Renato Russo. Depois disso Brasília nunca mais foi a mesma. Depois disso, o rock brasileiro não foi mais o mesmo. Depois disso, é história”