quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Serra Pelada – A Lenda de Ouro da Montanha

Posted: 25 Oct 2013 06:06 AM PDT
Depois de Serra Pelada, longa-metragem de Heitor Dhalia em cartaz desde o último dia 18, o garimpo volta a ganhar as telonas. Estreia na sexta (25.10), o documentário Serra Pelada – A lenda da Montanha de Ouro, dirigido por Victor Lopes.

O TelaBr conversou com o diretor sobre a produção, pesquisa e edição do filme.
Segundo Victor, a ideia do longa surgiu há 11 anos, quando o cineasta foi produzir um vídeo institucional para a Vale, empresa mineradora situada na região. “Sempre digo que ali é um lugar épico. Ali houve a segunda maior concentração de trabalho humano no mundo depois das pirâmides do Egito. Foi muito enriquecedor.”
A pesquisa exigiu esforço e cuidado. “Eu brinco dizendo que o cinema é um garimpo. Tive acesso a todas as imagens de arquivo de Serra Pelada, incluindo um filme perdido narrado por Orson Welles. Meu trabalho para a Vale me ajudou a ter o primeiro contato com os garimpeiros”.  Fazer o recorte de 40 anos de história em um longa metragem e comprar todo o arquivo, foram as principais dificuldades encontradas pela equipe durante a fase de produção.  Os obstáculos, no entanto, cederam espaço à imersão nos estudos e diferentes possibilidades de tratar o assunto.
Para Lopes, encontrar personagens que dedicaram suas vidas ao trabalho exaustivo no garimpo foi uma experiência marcante. De acordo com o diretor, o documentário “revela a percepção profunda da realidade do mundo que os garimpeiros, alguns pobres e muitas vezes sem estudo, possuíam”.  Entre tantas histórias encontradas não foi fácil escolher quais entrariam no longa-metragem. Eliezer Batista, na época presidente da então estatal Vale do Rio Doce e Sebastião Curió, ex-militar, interventor do garimpo e adorado na região – (chegou a ser homenageado com o nome da cidade Curiópolis), são personagens centrais da narrativa.
O documentário ainda entrevista garimpeiros desconhecidos. Destaque para Raimunda, uma das primeiras mulheres a entrar em Serra Pelada. “Ela é uma espécie de Diadorim da vida real, se passava por homem para caçar ouro e quando via que estava correndo risco de ser descoberta mudava de região”.
Depois de tanta inspiração, quer uma dica para produzir seu próprio documentário?  Victor Lopes considera um fator importante apropriar-se do assunto e prestar atenção no subtexto da narrativa.  “Fazer um documentário é entrar na vida de alguém. Quando isso é percebido e respeitado por quem filma gera um nível de confiança e força que sempre volta nas imagens.” Assim fica mais fácil entender como o diretor conseguiu documentar a montanha de 150 metros de altura que cedeu lugar ao imenso lago de 150 metros de profundidade e hoje é Serra Pelada