sexta-feira, 2 de julho de 2010

"It Might Get Loud" (2008)

rata-se de um documentário sobre guitarristas: Jimmy Page (Led Zeppelin), The Edge (U2) e Jack White (Várias), dirigido por Davis Guggenheim. Pode ser um bom mote para um diálogo com adolescentes ou adultos descolados que envelheceram como seus idolos juvenis.

O filme apresenta músicos de gerações diferenciadas. Talvez o diálogo intergeracional seja o ponto principal do documentário. Um jovem cujo auge artístico ocorreu nos anos 70, como guitarrista da banda Led Zeppelin. Outro que despontou no cenário da cultura pop na segunda metade dos 80's, como guitarrista do U2, uma banda marcada pelo engajamento político. O terceiro é um artista retrô, que explora a genealogia mais tradicional do rock: o blues da década de 30.

Uma chave de leitura interessante para trabalhar o documentário em sala de aula seria a comparação entre as experiências juvenis dos três artistas, caracterizando-as em suas temporalidades e espacialidades. A perspectiva do filme é um pouco limitada, pois restringe-se à artistas oriundos de países de economias desenvolvidas. Ao mesmo tempo, este fator mostra que a industria cultural esta intimamente relacionada ao desenvolvimento do capitalismo e ao o universo cultural da lingua inglesa.



Outra possibilidade seria escolher o "trabalho" como categoria de discussão. Gerlamente, o senso comun tende a não reconhecer como trabalho as práticas artísticas, o trabalho comunitário, o trabalho político etc, recobrindo-os de preconceitos. No documentário, podemos perceber como a música, a partir de um instrumento, a guitarra, evidencia o alto investimento de tempo, dinheiro, estudo e criação por parte dos músicos. Isto mostra outra dimensão do mundo do showbisness: o sucesso não é somente obra do acaso, mas também do trabalho metódico e disciplinado. Os músicos estudam as obras de outros guitarristas (dimensão da pesquisa), conhecem a história do seu ofício, dominam a técnica de seus instruementos (em especial o The Edge, que é conhecido como arquiteto do som).



Neste sentido, o rock e, talvez seu símbolo maior, a guitarra podem ser abordados numa dimensão mais (in)formativa. E não somente como uma manifestação cultural efêmera, como é largamente tratado pela sociedade.