quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Observações sobre a aula “Tópica: formas da historiografia”

[Seguem as observações que fiz sobre a aula do prof. Rafael Saddi, do dia 20/11/2012, no encontro do GruDhi (Grupo de Pesquisa em Didática da História e Educação Histórica) realizado em associação com a disciplina de núcleo livre oferecida pelos profs. Rafael Saddi e Maria da Conceição Silva. Os encontros acontecem todas as terças, as 14h, no centro de aulas ao lado da creche da UFG. Os problemas de coesão presentes nesse texto decorrem do processo de transcrição, no qual, perdemos importantes conectivos. Ademais, a transformação de um texto oral (a aula em si) em apontamentos traz consigo uma série de consequências para a coerência interna do texto escrito resultante. O ideal seria comparar as minhas anotações com as de outros alunos, juntá-las num texto só e, então, apresentar ao professor para fazer a revisão final. Os meus comentários estão entre [] Vamos lá…]


Topica: formas da historiografia



1. Reflexão sobre a aula anterior: necessidade de acessar a sensibilidade do aluno para que a aula de história faça sentido.
 
2. O que caracteriza (relação do passado com o presente para produzir sentido e orientação) o nosso presente? É possível fazer uma história do presente? 
 
Comentários sobre o suicídio do aluno de história (primeiro ano) que pulou na marginal: falaram sobre os comentários dos leitores feitos on-line na matéria do jornal que informou sobre o suicídio.

3. História do tempo presente é fundamental para a Didática da História;
 
4. Presente: a ideia de passado gera uma auto compreensão no presente para se orientar temporalmente (cria perspectivas para o futuro) à o passado é uma orientação que se produz no presente à a expectativa de futuro tbm é produzida no presente à toda vez que o presente muda, muda-se o passado (nascimento de novos objetos históricos) à (1ª tese) nem todo o passado é importante para o presente à o que faz as coisas permanecerem/mudarem? Para Rusen, a história recria o máximo de elementos que possibilitam a mudança. Precisamos de uma história empírica para explicar as mudanças; teorias das revoluções (mas a historicidade não é passível de explicações) [não entendi a relação dessa fala com o raciocínio anterior];

5. Nietzsche: o homem crítico é autodestrutivo, pois as condições de criticar o passado nascem no próprio passado.
 

Tipos de consciência histórica:


O professor tenta problematizar os pontos apresentados pelos alunos: há várias participações e curiosidades. O professor fica preocupado com a clareza de sua exposição.

1. Passado enquanto processo (geschichte) e como narrativa (historik): é o processo que (trans)forma as nossas condições à diferença entre processo e narrativa pode ser ilustrada pelo exemplo da fórmula do H20 (uma coisa é um copo cheio d’água outra é a sua formula escrita num papel dentro de um copo) à história vivida é a história enquanto processo à nem sempre a história como narrativa é científica. Ela pode ser narrada por pessoas fora das instituições.

2. Teoria do Rüsen: ao ser produzido o passado interfere no presente.

3. Não é só o processo que nos forma; ao narrar uma história também nos formamos.

4. Cada presente escolhe um passado que é relevante (nem todo passado é relevante para o nosso tempo; existem conteúdos do passado que são interessantes para nosso tempo [o desafio da DH (Didática da História) não seria identificar esses interesses?] Que passado interessa? Que passado é interessante para o presente? à quais são as carências de nosso tempo? A DH necessita de uma História do Tempo Presente;

5. Podemos não ter consciência dos elementos presentes que nos levam ao passado à É a DH que deve tornar consciente os pressupostos do presente. Mesmo sem ser consciente nós encaminhamos o conhecimento a partir do presente à ajuda a fazer com que as pesquisas respondam as carências que estão presentes mas que os historiadores ainda não produziram à Fatores Didáticos da Pesquisa Histórica (estão vinculados a um tipo de orientação do presente); a tarefa da DH é tornar esse tempo presente consciente no processo de produção do conhecimento histórico; se a DH não compreende o presente ela não construirá conteúdo efetivo

É possível ver temas geradores a partir do presente nos conteúdos históricos? A colega Alessandra sugeriu pensar as permanências; o professor Rafael lembrou a importância da ruptura nesse processo. Permanências e rupturas são medidas pelo presente.

6. O que a história pode contribuir para entender as mudanças e permanências do presente?

7. O que mudou, o que torna algo peculiar do nosso tempo? à precisamos identificar esses pontos:


Temas/pontos apontados pelo professor:



a) Corpo: política do corpo (discurso sobre o corpo, padrão estético; tipo de investimento no corpo);

b) Discurso médico extrapola o espaço da doença, independentemente da doença (p. ex., discurso do corpo saudável); processo de medicalização (define as regras de comportamento);

c) Discursos religiosos: não havia crentes na década de 80, aconteceu o da Teologia da Libertação, não havia Renovação Carismática à aborto; pena de morte;

d) Sensação de insegurança: gera discurso totalitário (discurso do médico; religioso);

e) Mudanças no mundo do trabalho: multifuncional, flexível (sustenta o discurso de interdisciplinaridade)

[Temas apontados por mim]

f) Sociedade do espetáculo (celebridade, comunicação, imagens) à Guy Debord;

g) Desenvolvimento tecnológico dos transportes e das comunicações em sua relação de confronto com a diferença/alteridade (história cultural);

h) Crise da/s autoridade/s (instituições: igreja, ciência, família);


Outros comentários do professor


1. os discursos que começam a valorizar o orgasmo feminino serão associados com outros discursos, por exemplo, serão os discursos que legitimarão as práticas homossexuais à Conjuntos de dispositivos que surgem em lugares distintos e se combinam criando novos discursos à não são construídos pelos sujeitos, conf. Foucault.

2. É preciso mapear as mudanças, compreendê-las; quais são as grandes questões que perpassam a nossa vida? à necessidade de investigar isto [mas a escrita da história depende somente do tempo presente?]

3. No estágio: pesquisar as temáticas do tempo presente para construir propostas de intervir na escola à projetos de pesquisa; 
 

Diferenciação entre história e sociologia:


1. o que é história? não é a auto-reflexão pois isto faz toda as Ciências Humanas à p/ Rüsen, só entendemos o que “é” no passado porque nós “o” entendemos no presente (herança do historicismo) à para Saddi, todos nós [das Ciências Humanas] estamos preocupados com a experiência humana (cultura), mas os historiadores estão preocupados com a experiência humana temporalmente (o conhecimento histórico não pode ser estático; ele precisa dar conta do movimento temporal) e precisa narrá-la e organizar a experiência no tempo;

2. p.ex.: fazer um trabalho de filosofia da história na Filosofia do Espírito não é um trabalho histórico, mas de filosofia, da teoria da história;

3. ao analisar as prostitutas na av. Paranaíba (sociólogo pesquisaria a vida social delas) o historiador vai estudar como esta sociabilidade se constitui, qual processo possibilitou isto no tempo; nossa empiria não é a coleta de ideia (história oral) ... [perdi o raciocínio];

4. Será conhecimento histórico somente se for possível informar como a prostituição se estabeleceu da forma como ela se apresenta hoje (o sociólogo está preocupado como essas relações se dão no presente)
[não fiz mais as observações porque o professor pediu o computador para continuar a discussão sobre a aula passada]